quarta-feira, 30 de abril de 2008

Cotidiano

* Ronaldo é um fenômeno. Se o cara peida, tem um repórter pra cheirar. Não é possível que ele não desconfiou que uma farra num pulgueiro com 3 putas ia cair na boca do povo. E é realmente decepcionante, posto o farto histórico de beldades que passaram por sua vida, que ele se preste a papéis desse tipo. Mesmo que pagar prostitutas acabe saindo mais barato do que sustentar as idas e vindas de suas namoradas.

* Falando sério agora: Noticiar os fatos é importante, mas já está passando dos limites o show que a imprensa está fazendo com os dois crimes monstruosos em evidência ultimamente: o assassinato de Isabella e o austríaco que prendeu e estuprou a filha por 24 anos num porão. No caso Isabella, um bando de urubus desocupados fica 24hs por dia na frente do prédio da menina ou dos pais dela, pra aparecer na TV cobrando justiça. Aqui em São Paulo vimos em reportagens locais pessoas que tinham faltado ao trabalho pra "acompanhar o caso de perto" dando entrevistas, orgulhosos de seus feitos. Existem muitas maneiras de cobrar justiça, mas o povo brasileiro quer é aparecer nesse show mórbido.

* Voltando a falar babozeiras, celebridades vivem mesmo em outro mundo. Esses dias eu vi o Vitor Fasano passeando pelo shopping, interpretando o papel de quem quer ser uma pessoa normal e não ser reconhecido no meio da multidão. Advinha quem era o único pateta dentro do shopping que estava de óculos escuro e boné? Isso sem contar que ele já deu em cima de um amigo meu. Não sei o que é que meus amigos tem pra se tornarem alvo de celebridades de gosto sexual duvidoso. Um foi assediado por Vitor Fasano, outro foi assediado por Emílio Santiago dentro de um banheiro (chamou pra fazer xixi juntinho)... nessas horas eu agradeço por ser feinho.

* Li em portais outro dia que Yoko Ono e uma empresa estão brigando por um vídeo sobre John Lennon, onde ele aparece fumando maconha, falando sobre drogas e cogitando a possibilidade de jogar LSD no chá de Richard Nixon. John Lennon, como a maioria dos artistas do mundo, era um idiota que vivia em outro plano, o que pretty much explica o seu talento para as artes. Só espero que não divulguem esse vídeo como se fosse uma mensagem do cara sobre os caminhos para a felicidade e a paz mundial. Se é pra divulgar vídeos de ídolos do rock mortos, faz melhor a empresa que vai lançar um vídeo pornô que Jimi Hendrix fez antes de morrer.

* Falando em maconha, Marcelo Antony disse que a droga nunca atrapalhou a sua vida e que o que o atrapalha é a violência e a corrupção. Não sei quanta maconha ele fumou pra não enxergar a estreita relação entre as coisas que atrapalham a sua vida e a droga que ele compra, que certamente não foi plantada por hippies de bom coração numa fazendinha na região de Pirenópolis - GO.

* Sou pela manutenção de gostosas nos comerciais de cerveja! Quero viver num mundo onde meus filhos tenham a oportunidade de serem expostos a peças publicitárias como esta: http://www.youtube.com/watch?v=ZOc-j8lPJ48
Com uma música dessas no fundo, com uma mulher maravilhosa dessas pela frente, desce até Cerveja Cristal.

terça-feira, 15 de abril de 2008

Política e mulheres traídas

Americano é tudo besta mesmo. O sexo é assunto normal, o adultério não é crime, ser gay lá é razoavelmente normal, mas quando se trata de um político, é o fim do mundo. Eles aceitam comportamento parecido ou pior em quase todas as celebridades que veneram, o que deveriam esperar do cara que está lá pra ser representante do povo? Mas cá pra nós, quem sofre mesmo são as mulheres desses caras. Não bastasse estarem casadas com clientes regulares de putas, viados ou somente adúlteros, não bastasse o país inteiro saber disso, elas ainda têm que engolir o sapo e aparecer ao lado do marido, declarando apoio e perdão, abrindo mão da posição de vítima – sim, porque se essas mulheres pedissem o divórcio imediato, o povo americano estaria ao seu lado muito mais do que de qualquer político – para salvar o que restou da imagem pública do marido. Fica aqui meu sentimento de respeito a estas mulheres, que de certa forma abriram mão do auto-respeito e do respeito alheio em prol da carreira política daqueles as traíram. Não acho que isso seja certo, mas entendo que deve ser extremamente difícil viver assim.

sexta-feira, 28 de março de 2008

BBBairrismo

Na final da edição do Big Brother mais apertada de todos os tempos, novamente vimos boa parte do povo brasileiro tentando dar uma de Robin Hood. Gyselle (acho que é assim que se escreve) foi uma das participantes mais "picolé de chuchu" que o programa já teve. Por opção se isolou de todas as pessoas da casa e quando escolheu companhia, foi justamente a pior - o viado louco. Mas ela é piauiense e o povo do Piauí nunca teve tamanha glória! Veja você, ter uma piauiense participando no BBB foi motivo para que todo o povo de lá e de boa parte do nordeste votar em peso pela vitória da "sister", assim sem mais nem menos, como se pelo fato de ter nascido pobre, feia e piauiense ela merecesse ganhar uma competição que deveria escolher a pessoa mais legal entre 14 cabeças. Como é que uma mulher que fica 3 meses confinada e não faz nenhuma amizade pode ser esta pessoa? Pergunte ao povo do Piauí, que está querendo inclusive apurar a votação do programa pra dar o título pra sua conterrânea.

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A verdade é que essa edição foi uma das mais tosca de todas, por vários motivos:

1 - Fernando era o cara mais legal da casa. O problema dele foi ter ficado com aquela Natália, que mostou não valer o prato que come. O cara ficava lá, pagando de namoradinho da menina, enquanto a vagaba dançava e se esfregava nos dois punheteiros da casa (Rafinha e Felipe). O cara tentava ajudar a idiota a crescer e parar de se embebedar loucamente em todas as oportunidades que tinha e ela não dava bola. No dia em que Fernando saiu da casa, no instante em que fechou a porta, a vadia começou a comemorar a "liberdade" e dizer que iria beber todas. Francamente, eu tenho é pena desse tal de Fernando pelo papel de trouxa que ele fez.
2 - O papo que várias mulheres ficaram de não votar em mulher até o final do jogo, que as mulheres ainda tinham muito pra conquistar no Brasil e que elas não deveriam se eliminar. Pois todas as mulheres que eu conheço e admiro construíram o seu caminho sem precisar desse tipo de mentalidade benevolente de ninguém. Inventaram a política de cotas no BBB. E se uma das que falaram isso na casa tivesse que escolher entre votar em uma mulher e votar no negão da casa? Por um acaso a patricinha branca tem mais espaço a conquistar no Brasil do que o negro? Acho que não, né.
3 - O que eram aquele casal de babacas que ficavam se comportando feito crianças o tempo inteiro? A Tati era insuportável! Quando não estava chorando sem motivo algum ou fazendo filosofia barata, estava enchendo o saco do resto da casa com suas cantorias. E o Marcos é um banana, um pau mandado que passou o jogo inteiro tentando fazer - sem sucesso - uma sapata gostar dele. Que papelão! Ele tem mais é que conseguir o que ele quer e ir trabalhar como humorista do Zorra Total, o lugar desse ridículo é lá mesmo.
4 - O viado nem se fala. O cara conseguiu brigar com todo mundo na casa. Quando saiu, reclamou que o Bial rotulou ele quando o chamou de bissexual. Disse até que não gostava de rótulos. Mas tudo o que ele fez o tempo inteiro na casa foi rotular os outros.

Como em várias edições anteriores do BBB, ficou claro que nós somos mesmo é massa de manobra, que a edição influi terrivelmente em quem ganha e quem perde o programa e que eu sou um trouxa por continuar assistindo essa merda. Pior que isso, só se eu estivesse aqui criticando o último capítulo da novela.

domingo, 23 de março de 2008

Geni Bueno

Estou, no momento em que escrevo, me preparando para acompanhar o Grande Prêmio da Malásia de Fórmula 1. Tenho duas alternativas para ver a corrida e quatro alternativas para ouvir a narração. Explico: Posso ver o GP pela Globo e pelo SporTV e posso ouvir o narrador "de sempre" Galvão Bueno, posso ouvir o narrador escalado pelo SporTV e posso ouvir pelo rádio, na Band News FM e na Jovem Pan.
Dentre todas as alternativas, adianto que vou ficar com o tradicional duo Globo-Galvão. Não que não goste dos outros, mas a despeito dos erros da figura que narra todas as competições relevantes (e algumas irrelevantes) transmitidas pela Globo - erros aos quais estão sujeitos todos os que narram ao vivo -, eu não julgo ser o Galvão um locutor tão ruim quanto seus detratores o pintam. Entre erros e acertos, tem mais acertos na minha conta.
Claro que vão dizer que ele fala muita besteira, que ele é ufanista, que às vezes quer adivinhar o que está acontecendo, que gosta de dizer que circula nos meios políticos-desportivos, etc... Mas pergunto: Os outros também não fazem o mesmo, em maior ou menor intensidade? Será o Galvão tão ruim assim? Por que desperta tamanha repulsa? Deve ser porque não é "expert" em tudo o que narra.
O Brasil, terra dos "experts" - dos pilotos de Fórmula 1 sem carteira de habilitação; dos técnicos e jogadores de futebol da peladinha do fim-de-semana; dos levantadores e atacantes da seleção de vôlei da festa de confraternização da empresa; dos ginastas que não sabem dar cambalhotas; dos iatistas que não sabem nadar ou dar nós; do doente que acha que sabe mais que o médicos e se automedica; dos blogueiros (eu inclusive) que se acham escritores, cronistas e analistas políticos, culinários, esportivos e etc -, não admite que se erre em rede nacional. Assim como os torcedores "pachecos" dos brasileiros em todos os esportes não aceitam o que eles chamam de "ufanismo" do locutor oficial global. E os torcedores de times - que perderam, claro - que reclamam que o narrador estaria torcendo para o outro time.
O brasileiro é um povo esquisito. Ninguém assite novelas, BBB, Faustão, Gugu, Sérgio Mallandro, Silvio Santos, Raul Gil, Gilberto Barros, Luciana Gimenez e outros. Pergunto então eu: Por que esses artistas estão há tanto tempo em nossas telas e ganhando tanto? E pergunto ainda: Por que todo mundo sabe o que acontece na novela, quem são os BBBs, quais os convidados do Faustão e do Gugu, as pegadinhas do Sérgio Mallandro, as besteiras que a Luciana Gimenez fala, etc. se ninguém assiste? "Ah, é porque eu estava "zapeando" e parei no canal..."
Sei, sei...
E da mesma forma que ocorre com os artistas citados há pouco, todo mundo, no final das contas, acaba sempre ouvindo o Galvão.
Torço para que um dia esse esporte tão brasileiro, o "Jogar Coisas na Geni" seja reconhecido como esporte olímpico e narrado pelo Galvão Bueno, a Geni da locução esportiva.

terça-feira, 18 de março de 2008

Sex Talk Shows & Mulheres

Talk shows que falam sobre sexo são sempre uma bosta. Eu tive uma grande idéia pra um talk show sobre sexo, que basicamente se resume a um apresentador que conheça vários trocadilhos atendendo telefonemas de ouvintes homens que queiram contar pra todo mundo suas experiências mais engraçadas ou até mesmo contar vantagem sobre uma aventura qualquer. Mas só podem ligar homens, porque a grande merda de talk shows de sexo são quando as mulheres ligam pra tirar as suas dúvidas. Sempre tem aquela mulher que tem problemas pra gozar e liga lá pra saber o que fazer. Pois bem, mulher: eu vou te contar qual é a real. Algumas mulheres normalmente têm dificuldade de gozar por pura falta de foco. Falta objetividade à mulher na hora do sexo. Nós homens sempre conseguimos gozar, não importa o quão feia ou quão gorda você seja. Se nosso instrumento se levanta, nós vamos gozar porque na nossa cabeça só há espaço pra você (ou alguém mais gostosa) naquele momento. Já a mulher vaga por pensamentos distantes e inúteis e o resultado é que ela perde a concentração. Durante o ato, pela cabeça de uma mulher passam milhões de coisas do tipo "será que ele gosta de mim ou quer só transar? E eu, gosto dele ou só estou há muito tempo sem sexo? Qual era o nome dele mesmo? Ah, lembrei! Será que ele sabe meu nome? Não estou gostando da cor dessa parede... eu lembrei de comprar leite no mercado hoje? Ih! Esqueci de colocar água pro cachorro! O que é que eu vou fazer amanhã mesmo?" Uma hora e meia depois, quando a cabecinha dispersa da mulher volta a sua atenção para o sexo novamente, nós já estamos gozando o ambiente inteiro. E o pior é que muitas ainda têm a cara de pau de perguntar “mas já?!” como se a gente não tivesse deixado nosso pinto esfolado de tanto meter! Tudo por causa dessa mania maldita que ela tem de botar a culpa no homem por qualquer coisa que dê errado. Nunca a culpa é da mulher se ela não consegue gozar. Isso porque as mulheres pensam que nós somos iguais a elas, mas não é bem por aí. Homens também têm um “ponto g”, que fica bem no meio das pernas e que, quando acionado, se levanta pra avisar a mulher da sua localização caso ela tenha alguma dificuldade. Todos os homens tem esse “ponto g” no mesmo lugar e uma vez que a mulher aprende a usá-lo, bingo! Nunca mais ela vai precisar aprender mais nada sobre fisiologia masculina. As mulheres também têm um “ponto g”, só que cada uma em um lugar diferente. Se você, homem, aprendeu como fazer sua mulher gozar e deixá-la satisfeita, não tente levar isso pra cama com outra mulher. Ela é uma máquinta completamente diferente, que não vem com manual de instruções e não faz a menor questão de te ajudar a ajudar ela mesma. Tudo isso pra quê? Pra poder ligar pra um talk show e nos fazer sentir culpa. E quer saber? Nos culpar talvez seja verdadeiramente o maior prazer que uma mulher pode sentir na vida, muito maior que os orgasmos múltiplos que ela parece que faz questão de não ter.

quarta-feira, 27 de fevereiro de 2008

Não perca seu tempo lendo este post

Hoje eu estou com vontade de escrever alguma coisa. Não tenho assunto, portanto vou ficar aqui, só escrevendo, ouvindo o barulho dos meus dedos batendo nas teclas do teclado enquanto olho para o monitor e vejo as palavras se formando. Palavras quaisquer, sobre assunto nenhum, quem sabe até uma idéia incompleta que leve qualquer um a pensar que o nada que eu escrevo significa alguma coisa.

Mas não. Não há alegria, nem tristeza. Não há melancolia, nem euforia. Não há amor, nem ódio, nem sequer uma paixão daquelas que você acha que é amor, mas não é. Não há problemas, não há soluções, não há vaidade inveja ou qualquer outro sentimento. Somente o som das teclas sendo pressionadas pelos meus dedos, enquanto eu fico olhando as palavras se formando no fundo branco do editor de textos.

E quer saber de uma coisa? Eu gostei, ainda que dessas palavras todas que eu escrevi não brotem nenhuma idéia e que nelas não se vislumbre sequer um rascunho. E vai assim mesmo pro blog, sem que eu tenha escutado nenhuma vez meu dedo pressionar o backspace. Droga. Errei na hora de escrever backspace.

terça-feira, 19 de fevereiro de 2008

Fazer o que se gosta e gostar do que se faz (ou viva Romário, Guga e Ronaldo)

Demorei para escrever, mas antes tarde do que nunca. Nossos grandes campeões estão vivendo dias difíceis. Ronaldo em uma nova via crucis cirúrgica e fisioterápica. Guga, o brasileiro que ficou um ano completo como número um do mundo, despedindo-se das quadras. Os dois com problemas físicos que os levaram à "invalidez competitiva". Romário abandonando aos poucos os campos.

O que há de semelhanças e diferenças entre Romário, Guga e Ronaldo?

Primeiro as semelhanças: os três são campeões, mais reconhecidos no resto do mundo do que no Brasil imediatista, no Brasil que só dá valor ao campeão da vez, no Brasil que quer ídolos sem defeitos e no Brasil que não aceita nada além da vitória.
As diferenças: Ronaldo e Guga vivem seu ocaso em virtude de problemas físicos; seus corpos não aguentaram o peso das competições de alto nível e agora cobram o (alto) preço. Romário, por sua vez, tem a idade como fator preponderante do fim de sua carreira.

Dito isto, acho que a diferença entre os três é um mero detalhe: o modo como encararam a vida e o esporte.

Ronaldo e Guga gostavam do que faziam. Viveram para isso, treinaram e se dedicaram às competições de alto nível. E encontraram a realização no esporte. Viveram grandes alegrias e, agora, a tristeza definitiva para Guga, e um caminho triste em direção ao fim para Ronaldo. Amavam o esporte. Para estes, vejo que em determinado momento o amor pelo esporte se transformou em carreira de sucesso, exigindo-lhes o comportamento e dedicação inerentes às exigências profissionais. Guga se despediu, Ronaldo se despedirá, ambos sofrerão a perda de algo que faz parte de suas vidas, mas ambos gozarão felizes a aposentadoria, ainda que de vez em quando voltem às quadras ou aos campos com os amigos.

Romário fazia o que gostava. Viveu para isso, mas não treinou tanto assim... E encontrou a realização no esporte. Viveu grandes alegrias e, agora, a tristeza. Amava o futebol (não o esporte em si), como uma criança. Para ele, o amor pelo futebol se transformou em carreira de sucesso, mas Romário não se rendeu ao comportamento e à dedicação que o profissionalismo lhe impunha.

Talvez por isso Romário não consiga parar. Nunca. Romário é daqueles que fará vinte jogos de despedida e não conseguirá se despedir. Talvez com 50 anos esteja jogando em algum time da 3a divisão. Quando Romário não puder mais jogar, não gozará feliz sua aposentadoria.

Dizem que um verdadeiro campeão deve saber a hora de parar. Com Pelé foi assim, com Garrincha não. Romário está mais para um Garrincha moderno, que diferentemente do verdadeiro soube aproveitar bem o dinheiro que seu amor (o futebol) lhe proporcionou, do que para um Pelé. A diferença? Edson amava seu alter ego Pelé, e quis dar ao seu amor uma presença eterna na história esportiva. Romário é simplesmente Romário, que ama o futebol mais do que ama sua própria imagem.

Aos três, Romário, Ronaldo e Guga, muito obrigado!

sexta-feira, 25 de janeiro de 2008

Desculpa o Tchan! (II)

De fato, o que vemos hoje tocando em todas as rádios e boates, ainda por cima com direito a legenda no multishow faz o tchan da Carla Perez parecer brincadeira de criança. Mas o que podemos esperar de crianças que cresceram achando tudo aquilo bonito e normal? Estamos vivendo um processo de idiotização do ser humano, onde os valores materiais são mais importantes do que qualquer coisa, seja respeito ao próximo ou amor próprio, como é possível ver nos clipes onde há pelo menos 4 boazudas ostentando grifes famosas e se esfregando nos rappers, que por sua vez, fazem pose de bandido. Essa discussão sobre valores morais na música é velha e eu sou daqueles que defende que o sexo pode estar presente nas músicas sim, desde que haja o respeito ao ouvinte. Os trocadilhos sutis de outros tempos já não existem mais e o que ouvimos hoje nada mais é do que uma baixaria explícita e generalizada. O rapper americano tem no funk brasileiro o seu equivalente nacional, mas o funk brasileiro, com o mesmo nível de baixaria, é uma coisa menos difundida. Por um instante isso até me fez pensar que o Brasil não é tão ruim assim, mas depois caiu a ficha que é só uma questão de tempo até que nós tenhamos os nossos astros da música pornô anunciados como atração principal do Domingão do Faustão. Em suma, os idiotas brasileiros são pouco diferentes dos idiotas americanos. Daqui há 5 ou 10 anos, quando a grande indústria tiver arrancado tudo que poderia arrancar dessa moda e ela não estiver valendo mais nada, o que vai separar o rapper americano do rapper brasileiro é que o primeiro vai tentar se manter em evidência arrumando barracos na mídia ou em reality shows e o segundo se anunciando como evangélico.

Desculpa o Tchan!

Dias atrás eu pensei que se encontrasse a Carla Perez, as Sheilas, o Compadre Washington ou o Jacaré em algum lugar eu lhes deveria um pedido de desculpas.
Ultimamente, as cantoras que dominam o mercado musical mundial estão abusando muito mais da sensualidade e da sexualidade em suas letras do que o Tchan e seus clones já fizeram com suas - agora inocentes - letrinhas de duplo sentido.
Basta assistir a qualquer canal ou programa de videoclipes (alguns têm a tradução das letras) para constatar isso. As garotas se proclamam promíscuas, falam de sexo em níveis pornográficos e dançam como se estivessem se apresentando em um clube de strip-tease ou participando de uma orgia. Tudo isso vestindo as melhores griffes, ostentando os melhores carros e jóias e declarando amor por bandidos. Sim, hoje a moda é namorar bandidos, de preferência que já tomaram muitos tiros e tratam as mulheres como os cafetões.
E tudo isso com a complacência e admiração - tratam essas moças como divas - de quem achava a turma do Tchan, Tchum e Tchakabum vulgar!
Por isso acho que devo desculpas ao Tchan. Se elas vivessem na terra do Tio Sam, certamente já seriam divas milionárias, estrelas de primeira grandeza no mundinho das celebridades femininas fono-pornográficas. Ou seja, as pobrezinhas das rebolantes tupiniquins estiveram no lugar e no tempo errados.

Evite os idiotas

Publicado em 19/08/2005 (http://murronorim.blogspot.com/2005/08/evite-os-idiotas.html)

Uma coisa que eu detesto é argumentar contra idiotas. É praticamente nula a possibilidade de uma troca de idéias civilizada quando se discute com algum idiota. E claro, todas as argumentações e discussões são na verdade uma guerra pela razão. As partes envolvidas definem estratégias, jogam até que os argumentos do seu oponente acabem, e aí fica claro para ambos quem saiu vitorioso no embate de palavras, embora não haja necessidade de o perdedor se assumir como tal súbita e publicamente. A cara de bunda e o longo silêncio de quem não esperava por um argumento tão incisivo e direto falam mais alto. No fundo, ele sabe que perdeu e perder sempre é uma bosta, porque depois, se ele não for um idiota, ele com certeza vai ficar pensando no que poderia ter falado para fortalecer o seu ponto de vista, no que poderia ter replicado para desestabilizar o seu oponente, enfim, em muitos meios que fariam com que vencer a discussão fosse possível. Eu diria que vencer a discussão é mais fácil quando se argumenta contra alguém inteligente do que quando se argumenta contra um idiota. Além do idiota não entender muito bem o seu ponto de vista, ele não consegue montar uma base de argumentos sólidos para lançá-los contra você e por isso, na maioria das vezes, ele se apega a uma frase de efeito qualquer e fica repetindo esta até que os seus tímpanos estourem e que a sua paciência se acabe e por fim, você o atinge com uma ofensa pessoal, que é um evidente sinal de derrota em uma discussão. Fora isso, o mundo está repleto de idiotas, portanto ele provavelmente vai arrebanhar outros idiotas para o seu lado e fazer com que fiquem todos repetindo a mesma frase de efeito idiota e fora de contexto que ele já vinha repetindo, fazendo com que a sua raiva cresça exponencialmente e a ofensa pessoal seja dirigida aos berros descontrolados à horda de idiotas que o cerca. Então você sai pisando firme e fazendo gestos obscenos enquanto deixa pra trás asnos sorridentes, extasiados com a sua raiva. Moral da história: evite os idiotas

 
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